Centro de Tratamento do Neurinoma do Acústico
Diagnóstico preciso, tecnologia avançada e experiência em alta complexidade para o tratamento dos schwannomas vestibulares.
O Hospital INC – Instituto de Neurologia de Curitiba é um dos principais centros de tratamento dos neurinomas do acústico, também conhecidos como schwannomas vestibulares, na América Latina. A instituição recebe pacientes de diferentes regiões do Brasil e de outros países, com estrutura tecnológica comparável a grandes centros da Europa e dos Estados Unidos.
O serviço é liderado pelo Prof. Dr. Ricardo Ramina, especialista com formação em Hannover, na Alemanha, e reconhecido como uma das principais referências em cirurgia da base do crânio. Em 1986, o Prof. Ramina introduziu na América Latina a monitorização intraoperatória para pacientes com neurinomas do acústico.
A equipe responsável pelo tratamento reúne neurocirurgiões, otorrinolaringologistas, fisioterapeuta e fonoaudióloga, atuando de forma integrada na avaliação, definição de conduta e acompanhamento dos pacientes.
Equipe INC
A equipe responsável pelo tratamento reúne neurocirurgiões, otorrinolaringologistas, fisioterapeuta e fonoaudióloga, atuando de forma integrada na avaliação, definição de conduta e acompanhamento dos pacientes.
- Dr. Ricardo Ramina
- Dr. Maurício Coelho Neto
- Dr. Gustavo Jung
- Dr. Daniel B. Almeida
- Dr. Gustavo Nogueira
- Dr. Patrícia Sens
- Dr. Fisioterapeuta Vanessa
- Dr. Fonoaudióloga Simone
Gamma Knife®
O INC também realiza tratamentos de radiocirurgia com Gamma Knife®,
tecnologia disponível na instituição para casos selecionados.
O que é o neurinoma do acústico?
O neurinoma do acústico, também conhecido como schwannoma vestibular, é um tumor de crescimento lento, benigno na quase totalidade dos casos. Ele se origina em um dos nervos vestibulares, localizados dentro do canal auditivo interno.
Esse canal mede aproximadamente 1 cm de comprimento e 0,5 cm de espessura. Dentro dele passam quatro nervos importantes:
- Dois nervos do labirinto;
- O nervo da audição, chamado nervo coclear;
- O nervo facial, com seu ramo motor.
Principais procedimentos cirúrgicos e terapêuticos
Embora esses tumores não causem metástases para outras partes do corpo, eles ficam próximos a estruturas vitais do tronco cerebral. Por isso, quando crescem, podem afetar estruturas importantes e causar perda auditiva, alteração da sensibilidade da face, paralisia facial, dificuldades para engolir alimentos sólidos e líquidos, perda do equilíbrio e, quando muito volumosos, compressão do tronco cerebral.
Em pacientes mais jovens, o crescimento do tumor pode ser mais rápido. A boa notícia é que quase todos esses tumores são benignos e, na grande maioria dos casos, é possível curar os pacientes.
Diagnóstico
Quando o paciente apresenta sintomas como diminuição da audição ou zumbido em um dos ouvidos, é necessário realizar um exame de imagem para excluir a presença de tumor.
O melhor exame para o diagnóstico é a ressonância magnética, capaz de detectar tumores com poucos milímetros.
Antes da cirurgia, também devem ser realizados exames de audição e do labirinto, conduzidos pelo otorrinolaringologista.
Classificação dos tumores
Os neurinomas do acústico são classificados de acordo com o tamanho e a relação com o canal auditivo interno e o tronco cerebral.
| Tipo | Tamanho do tumor |
|---|---|
| T1 | Tumor pequeno dentro do canal auditivo interno |
| T2 | Tumor pequeno saindo do canal auditivo interno |
| T3 | Tumor médio alcançando o tronco cerebral |
| T4A | Tumor grande comprimindo o tronco cerebral |
| T4B | Tumor muito grande comprimindo o tronco cerebral, com hidrocefalia |
| Gigantes | Tumores gigantes comprimindo estruturas vitais |
Tratamento
O tamanho do tumor é um fator muito importante na decisão e no resultado do tratamento. O objetivo do tratamento de pacientes com tumores benignos cerebrais é a cura definitiva com preservação das funções neurológicas.
Nos casos de neurinoma do acústico, além da cura da doença, a equipe busca preservar o nervo facial e a audição, quando ainda existente. Em tumores grandes, o principal objetivo é remover o tumor para preservar a vida do paciente.
Quando há diagnóstico de neurinoma do acústico, existem três possibilidades de tratamento:
Observação clínica
Em tumores pequenos, localizados dentro do canal auditivo interno, principalmente em pacientes idosos, o acompanhamento clínico com exames de audiometria e ressonância magnética pode ser uma opção.
Se o tumor crescer ou a audição diminuir, deve-se optar pelo tratamento. Tumores grandes devem receber tratamento na maioria dos casos.
Radiocirurgia
A Radiocirurgia é uma opção atualmente aceita para casos selecionados. O tratamento é realizado por meio de radioterapia em uma única sessão, sem necessidade de internamento, e é indicado para tumores com diâmetro menor do que 3 cm.
O melhor aparelho de radiocirurgia existente é o Gamma Knife®, tecnologia disponível no Hospital INC. O objetivo da radiocirurgia é estabilizar o crescimento do tumor ou, em alguns casos, reduzir seu tamanho.
Com o passar dos anos, alguns pacientes podem apresentar crescimento tumoral e precisar de um novo tratamento. A radiocirurgia não oferece cura para nenhum paciente. Complicações relacionadas à radiocirurgia são raras, mas podem ocorrer.
Como consequência da radiocirurgia, o paciente pode apresentar amortecimento do rosto, por alteração do nervo trigêmeo, paralisia facial, hidrocefalia, em casos muito raros, ou desenvolver tumor maligno no cérebro ou transformar o tumor benigno em maligno.
Outra desvantagem é a necessidade de realizar exames de ressonância magnética de controle pelo resto da vida, uma vez que esse tratamento não cura o paciente.
Por isso, essa opção é indicada apenas para pacientes muito bem selecionados, que não apresentam condições cirúrgicas, principalmente pacientes idosos, acima de 65 anos, com tumores que estejam crescendo.
Microcirurgia
A remoção microcirúrgica do neurinoma do acústico é a única forma de cura para esses tumores. No entanto, devido à localização e ao envolvimento de estruturas muito importantes, essas cirurgias devem ser realizadas em centros com grande experiência e tecnologia avançada.
Os três acessos cirúrgicos mais utilizados são:
- Atrás da orelha, chamado acesso retrosigmoide;
- Através do ouvido, chamado acesso translabiríntico;
- Acima da orelha, chamado acesso pela fossa média.
No serviço do Hospital INC, o acesso retrosigmoide é o preferido por apresentar inúmeras vantagens em relação aos outros. É mais simples, mais rápido, pode ser utilizado para tumores de todos os tamanhos, pode preservar a audição e permite melhor controle das estruturas envolvidas.
O acesso translabiríntico, além de ser mais trabalhoso, apresenta uma série de desvantagens. Já o acesso pela fossa média é indicado apenas em tumores pequenos e que ainda não tenham causado perda da audição.
Durante a cirurgia, é essencial realizar a monitorização intraoperatória dos nervos cranianos envolvidos e do tronco cerebral. Essa monitorização deve ser feita por profissional experiente e integrante do time cirúrgico.
Recuperação e acompanhamento
No Hospital INC, essas cirurgias têm duração média de 2 horas e meia a 4 horas e meia, dependendo do tamanho do tumor. O paciente permanece na UTI para controle durante a noite e, no dia seguinte, é liberado para o quarto.
Dois a três dias após a cirurgia, o paciente recebe alta hospitalar. Os pontos de pele são retirados no oitavo ou nono dia e, na maioria dos casos, os pacientes retornam às atividades habituais de 7 a 10 dias depois.
Os riscos cirúrgicos estão relacionados à possibilidade de infecção, considerada muito rara, sangramento, extremamente raro, e outros riscos associados a cirurgias de grande porte com anestesia geral, também extremamente raros.
A preservação do nervo facial e da audição depende de vários fatores, principalmente do tamanho do tumor.
Após a cirurgia, os pacientes são acompanhados com exame de ressonância magnética logo após o procedimento e com controle anual durante 5 anos. Após esse período, com exames satisfatórios, os pacientes são considerados curados e recebem alta definitiva.
Resultados cirúrgicos entre 1993 e 2022
Os neurinomas do acústico são classificados de acordo com o tamanho e a relação com o canal auditivo interno e o tronco cerebral.
| Tamanho | Número de casos | Remoção total | Preservação do nervo facial | Preservação da audição | Complicações |
|---|---|---|---|---|---|
| Pequenos, T1-T2 | 191 | 100% | 100% | 50% | 1,0% |
| Grandes, T3-T4A e B | 503 | 99% | 92% | 18% | 2,3% |
| Total | 694 | 99% | 94% | 30% | 1,8% |
Casos clínicos
CASO 1
Paciente jovem, 42 anos de idade, com tumor T4A comprimindo o tronco cerebral.
Acima: ressonância magnética antes da cirurgia.
Abaixo: ressonância magnética após a remoção total.
CASO 2
Paciente com 47 anos de idade, submetida a duas cirurgias em outro serviço.
Acima: ressonância magnética antes da cirurgia, mostrando tumor gigante comprimindo o tronco cerebral e o cerebelo.
Abaixo: ressonância magnética após a remoção total do tumor.